Era uma vez um poeta.
Vivia para escrever e compor obras ímpares!
Era algo que ninguém poderia tirar dele.
O pensar e o redigir era seu alimento.
Sua alma vibrava a cada iluminação.
Sentia o refrigério como quem sente a brisa fresca da manhã.
Verdadeiramente o poeta sabia para que veio ao mundo.
Um belo dia, forçado “pela vida”, o poeta se tornou operário.
Trabalhava muito. Quase não tinha mais tempo para utilizar da criação como inspiração de vida.
Entendia e sabia que o trabalho é uma dádiva e que também dignificava o homem.
Mas os elogios já não eram os mesmos, e sabia que por mais que tentasse, suas produções não seriam iguais aos seus escritos.
Então, muito triste, o poeta chorou.
Lamentou e pranteou por não poder usar mais de seus dons e talentos para encantar a vida como fizera em outras épocas.
Aquele sentimento foi tão forte que até sua produção havia diminuído durante seu turno.
Simplesmente se perguntava: Por que?
Por que a vida nos traz o ar, os frutos, as pessoas, as cores, os amores, as amizades, até mesmo as dores , se nem ao menos tenho tempo para escrever sobre elas?
Temos pessoas ao nosso redor, mas não podemos conhecê-las.
Temos frutos e comidas maravilhosas, mas também temos pouco mais de minutos para degusta-las.
Temos até mesmo o dinheiro, sem o qual ninguém vive, mas infelizmente, não tenho mais tempo para gasta-lo.
Hoje compreendo, que aqui nesta terra, não trabalhamos para viver, mas vivemos para trabalhar.
Antes, tinha tudo que precisava, talvez não o tanto quanto gostaria de ter, mas ao menos compreendia o que era viver.
Hoje, exatamente agora, fico aqui, de mola em mola, dispensando meu suor naquilo que não é viver.
E minhas poesias! Nem se quer tenho tempo para escrevê-las.
O mundo pode tirar o lápis e o papel de minhas mãos, mas jamais vão retirar a poesia que flui do meu coração.
O homem pode se tornar prisioneiro de um sistema, mas o espírito continua e sempre será o mesmo, trazendo à memória o motivo de sua verdadeira existência.
Você é aquilo que você come? Veste? Vê? Faz? Não sei.
Só sei que sou um poeta prisioneiro e que não sou mais o que produzo.






